domingo, 23 de setembro de 2012

Sentimento do meu mundo.

Ultimamente não tenho me sentido apta a expressar nenhum tipo de opinião. A realidade é realmente muito cruel e eu sinto que as pessoas optaram por acreditar que atrocidades não ocorrem; é compreensível.
Eu tive um curso na faculdade e estudamos Drummond, lembro que o professor disse que o livro "A Rosa do Povo", publicado em 1945 refletia o "sentimento do mundo" naquele período. As pessoas tinham medo, era um tempo de guerra, o fim da Segunda Guerra Mundial.
Uma vez eu postei um poema deste livro "A morte do Leiteiro", postarei novamente no fim, porque é um belíssimo poema que retrata os extremos aos quais um sentimento que se torna geral, devido às circunstâncias políticas, pode nos levar a chegar.
Porém o foco deste post é o sentimento do mundo de hoje; eu não me sinto apta a postar nada por inúmeros motivos, o primeiro é constantemente perceber a diversidade de ideias, posturas, opiniões, diretrizes, valores, realidades; essa percepção me assusta e me apresenta o quão pequeno é querer que apenas uma verdade seja aderida; diante de algo que me coloca estarrecida e que me derruba, me faz refletir, me faz contemplar assustada, penso que o melhor é entender que o lugar que no mundo me pertence será melhor conduzido se eu souber que ele é restrito, o que não o diminui, porém o torna efetivo nesta grande engrenagem que é o mundo.
Tanta coisa para pensar, tanta coisa para ficarmos "por dentro", quantas coisas a fazer ao mesmo tempo e nas quais precisamos estar atuantes para cumprirmos minimamente nosso papel como parte de um coletivo, desta engrenagem maior e que não diz respeito apenas ao nosso umbigo, não é tarefa fácil, por vezes dolorosa e justamente por este motivo fingimos não perceber o mundo cruel que nos cerca. Vemos constantemente os extremos cometidos pelos motivos mais fúteis e ridículos referentes apenas aos interesses daqueles que dão as diretrizes em um mundo que a poucos pertence. Ordens de reintegração de posse nas ocupações em prédios inutilizados e que passaram a abrigar famílias que possuem filhos nas escolas, empregos, uma rotina, sendo realizadas para revitalização no centro; ação policial contra moradores de rua, indigentes, problemas a menos; incêndios em favelas que coincidentemente estão em regiões que sofreram valorização imobiliária; proibição de "sopas", "livros", sucateamento de bibliotecas de bairro, universidades; essas questões apenas no âmbito da nossa cidade, São Paulo, e apenas dentro de uma questão que nos diz respeito, isto é um recorte pequeno e por que não ridículo, diante de toda a complexidade que é a vida dessa engrenagem e daqueles que vivem as diferentes realidades dentro da dinâmica da cidade.
Em relação às "valorizações das regiões", já é sabido que estes fatos que ocorrem diariamente no centro se estenderão a demais regiões no futuro, ou seja, é só o começo.
Se pensarmos no Brasil, na minha cabeça imediatamente questões surgem como economia do que eu nada entendo, crise, meio-ambiente, Belo Monte, Índios, cultura e diversidades respeitadas, inclusão social, desenvolvimento sim do Norte e Nordeste e o nojento pensar paulista em relação ao seu papel nessa engrenagem maior. Mundialmente, o que me vem, imediatamente, é a perseguição constante aos muçulmanos que se dá ainda devido ao conceito de "América para os americanos", compramos a ideia de uma mídia vendida à pior referência que se pode ter, sem nada entender sobre a realidade política daquelas nações, sua história, religião e pensamento; recentemente descobri mais profundamente a história do Japão e do quanto aquele povo sofreu por precisar se submeter primeiramente a um governo imperialista e após isso ainda foram obrigados a permanecerem subjugados aos erros de seu governo e à força militar imposta pelos EUA ali, quantos povos sofreram e sofrem, e como é triste ver que diante disso tudo os seres humanos conseguem tornar suas vidas ainda mais insuportáveis, porque aprendi recentemente também que os japoneses além de serem uma excelente referência em diversos aspectos que acredito já serem de senso comum, são também separatistas e preconceituosos; e, como todo bom "ser humano" consegue piorar ainda mais a sua própria vida; nada que seja diferente daqui, aqui é a mesma coisa, vivemos a ilusão de que não há preconceito, injustiça social, morte. Prefiro nem pensar nos índios americanos, nos nossos irmãos africanos, e eu citei nada, absolutamente, em relação ao tamanho e aos países do mundo, até porque não saberia fazer isto. O mundo é vasto, vasto mundo, disse Drummond no poema deste mesmo livro "A Rosa do Povo", o poema chama-se "Sete Faces", porém ele mesmo responde: "Mais vasto é o meu coração"!
Lenine me inspira, e me inspira mesmo, eu não sou a maior conhecedora de música e nem tenho essa pretensão, mas muitas vezes me percebo diante de um poeta, sensível, sagaz e inteligentíssimo, se não o for, não tenho problema algum em fazer parte do seu  "público-alvo", faço com orgulho. Deixarei antes do poema uma música que definiu o meu sentimento, o sentimento das conversas que tenho com amigos, do meu mundo, da minha caverna; espero que alguém se identifique, o título é: "Isso é só o começo" e faz parte do novo CD, "Chão", baseado na música concreta que busca os sons reais, concretos, da natureza, da vida, nesta música há sons da natureza e também de uma máquina de lavar, passos e demais elementos usados nas faixas anteriores, deixo como dica a música "Uma canção e só" que se baseia no som de uma chaleira.
Termino o post aqui, porque não tenho nada a dizer, não me sinto apta, sinto apenas que "é só o começo".

Link da música: "Isso é só o começo: http://www.youtube.com/watch?v=Mk3eDRGZB9w

 POEMA: "A Morte do Leiteiro" - Carlos Drummond de Andrade

A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Um convite à Reflexão

O que somos? Cidadãos, trabalhadores, estudiosos, cristãos, irmãos, filhos, namorados, amigos?

Diante da sociedade todas essas nomenclaturas referem-se apenas aos rótulos superficiais que tentam definir aquilo que somos internamente.

O que seríamos em uma sociedade em que nenhum desses rótulos ou papeis sociais encontram espaço para serem exercidos? Ou ainda, em que nem mesmo aquilo que realmente somos no nosso íntimo encontra espaço para dar o seu grito?

Órbita da Repressão é um vídeo independente que possui um viés político.

Por meio de relatos de moradores de rua e opiniões de especialistas trata da questão da Ação da Polícia na Cracolândia, centro velho de São Paulo.

Um convite à reflexão, apenas isso.







terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Conexão

Bom, no meu blog eu admito mais do que no facebook expor minhas opiniões apaixonadas, ou até mesmo meus desabafos. Também não me preocupo com os julgamentos dos críticos facebookianos sobre postagens, primeiro porque considero ridículo indiretinhas via facebook e segundo que se porventura algo me desagradar na postagem de qualquer pessoa que seja, ainda me resta a opção ocultar, mas dificilmente faço isso porque as pessoas que eu permiti que fizessem parte da minha rede, são pessoas que eu tenho total interesse em saber sobre tudo.

Sim essa é uma opinião apaixonada e se você não gosta de pontos de vista desse tipo, recomendo que pare a leitura por aqui.

Amanhã haverá um ato que vai contra a política que o Estado de São Paulo resolveu exercer em relação aos usuários da Cracolândia. E eu irei porque assumidamente sou contra.

Eu cresci na Cracolândia. Por um acaso do destino, de Deus ou de qualquer coisa que se assuma como responsável, nunca fui uma vítima direta das drogas, e graças ao meu pai que sempre trabalhou apesar de possuir "limitações físicas", apesar de ser deficiente, nunca me faltou nada. Porém não sou apática a essa realidade porque a visão ainda continua sendo um dos meus sentidos.

Tenho amigos de infância que se tornaram vítimas do problema social que é a Cracolândia e que acabaram entrando nas drogas. Tive a oportunidade de fazer parte de uma comunidade que lidava diretamente com a recuperação dessas pessoas. Em meio a essa realidade, o que eu aprendi sobre tudo isso, é que o que a Cracolândia possui são pessoas e não zumbis. Pessoas marcadas das piores maneiras possíveis e pelas piores expressões que o nosso sistema prevê para a sua própria existência. Mas que ainda são pessoas.

O Governo de São Paulo agora finge se preocupar com essas pessoas querendo resolver o seu próprio problema torturando-os por meio do cansaço e da abstinência. Um estado responsável pelo seu surgimento, pela sua permanência e agora pela grotesca forma que optou para sua eliminação. Sim, porque eu sempre me lembrarei da forma que optaram para lidar com o problema, nunca apoiei este governo e a partir de agora para sempre não apoiarei.

Eu sou estudante da USP e desde os fatos ocorridos ali com a PM, tenho sido uma ativista constante e por vezes chata a respeito do que a PM significa. Porém, minha opinião sobre a Polícia não surgiu porque me tornei estudante da USP e sobre isso já discursei bastante em um post abaixo. A minha opinião sobre a polícia foi formada desde sempre, isso porque sou a Keyth antes de exercer qualquer papel social. A Keyth cresceu na Cracolândia.Vivi em meio a uma realidade em que a polícia esteve presente apenas para se aproveitar dos usuários tanto quanto traficantes. Por vezes vi da minha própria janela policiais repassando drogas.

Generalizo as pessoas que assumem a profissão de policial? Não. Como em qualquer lugar, corporação, empresa, faculdade, etc, existem os responsáveis e os pilantras. Acontece que ali, naquela região o contato que tive foi com os que são ou se tornaram pilantras.
Já entendi que a própria corporação os cria com seus métodos militares e desumanos, humilhando-os, o filme Tropa de Elite também serve para mostrar isso. Geram seres humanos que transmitem exatamente a forma como são tratados por este próprio estado, pois não possuem salários dignos, e, por mais que tenhamos passado o tempo de ditadura, ainda são preparados para lidar com seres humanos como naquela época.

Em uma conversa com um policial em frente a minha casa, soube por meio dele, que sequer possuem o direito de se organizarem em sindicatos ou de protestar, senão são logo descartados. Perguntei: "Por que você se submete a isso?", e ele me respondeu: "Porque tenho dois filhos para criar". Resta a pergunta: Será mesmo que essa nossa segurança não é questionável? Eu não consigo pensar que não seja e como estudante me levantei para o debate pois enxerguei a força que esse papel social possui. Uma força que um usuário infelizmente não possui para alguns, porque para mim, a opinião que um usuário possui é tão relevante quanto.

A Cracolândia sempre foi esquecida. Esquecida da mídia e da sociedade paulistana. Hoje com a especulação imobiliária ela se tornou uma questão relevante ao governo e a essa mídia golpista e capital que possuímos. Ainda bem hoje temos a internet, mas enfim tomemos cuidado com SOPA e PIPA.

Inevitavelmente a sociedade parece pela primeira vez ter enxergado que essa é uma questão e um problema a ser resolvido por todos, seja por atos, seja pelo terceiro setor, filantropia, etc. ou mesmo para se sentir no direito de opinar a respeito. E devo dizer: é sim. Como cidadãos os paulistanos possuem todo o direito de opinar a respeito do tema, mesmo que isso fira o ego das pessoas que sempre estiveram em contato com essas pessoas. Se isso não fosse legítimo, não poderíamos opinar em relação a nada que ultrapassasse 5km de distância das nossas próprias realidades, e não é isso que ocorre.

A essas pessoas que apesar de não terem vivido essa realidade de perto, mas que possuem a mesma visão, de que os usuários são pessoas e que não há guerra contra as drogas que justifique essa ação mal planejada, que não prevê reabilitação a todos e muito menos a questão da internação compulsória como humana (sim porque isso está sendo proposto), é que eu venho fazer o apelo para que compareçam ao ato de amanhã na Praça da Sé no primeiro horário. Estejamos lá! Eu estarei!

E eu não faço a mínima idéia de quem organizou esse ato, não sei se foi partido, se foi associações que trabalham com essas pessoas, já vi que ambos estarão presentes, assim como cidadãos que se assumem comuns, como eu. E eu também não quero saber! Eu estarei lá, porque sou humana e considero uma verdadeira barbárie a forma como essas pessoas estão sendo tratadas. E se, se sentir ultrajada com qualquer assunto que remeta ao social significa para alguns, necessariamente ser de esquerda, então eu me assumo feliz e com orgulho BICHO GRILO!!! Independentemente disso eu sou de esquerda mesmo, porém considero que ser uma pessoa humana, não está necessariamente ligado ao partido que se apóia ou à ideologia que se tenha.

Pinheirinho me afetou tanto e está me afetando, porque eu vi pessoas que se organizaram, que construíram suas casas sendo desrespeitadas e ultrajadas por um estado que visa apenas o lucro. Percebi que jamais poderei condená-los caso se tornem usuários de drogas, bandidos ou qualquer nomenclatura que se use. Não possuem mais nada a perder, perderam suas casas, perderam seu tempo, perderam sua dignidade. Alguns perderam a presença de pessoas que foram mortas, há o relato dos moradores de uma criança de 3 anos que morreu asfixiada pelas bombas de gás lacrimogênio. A "grande" mídia não noticia isso, mas entre o que me é apresentado pela mídia e o que me é apresentado pelos moradores, eu sem dúvidas fico com a versão dos moradores. Será completamente compreensível se optarem pelo auto suicídio que uma droga como o crack representa.

Sobre o sentimento que essas pessoas carregam consigo mesmas eu nunca poderei ter real noção do que seja, quer dizer não sei, neste sistema nunca podemos contar com o amanhã por mais que nos esforcemos.Deixo abaixo uma música que considero magnífica do Gabriel o Pensador sobre o tema, sobre ser mendigo, sobre ser excluído da sociedade e viver nas ruas, realidade dos usuários da Cracolândia e agora dos ex-moradores de Pinheirinho. Concordo com a letra, de alguma maneira vai de encontro com aquilo que consegui apreender. Sim apreender, porque é impossível aprender sem experiência.

Para quem não quiser ouvir, deixo previamente uma frase da música: "A NECESSIDADE É MAIOR DO QUE A MORAL!". Ah meu amigo, a necessidade é MUITO MAIOR DO QUE A MORAL!!!
Convido: Todos ao ato amanhã!! CONTRA A HIGIENIZAÇÃO E A FAVOR DE TRATAMENTO DIGNO AOS USUÁRIOS!!!!
Porque apesar do desânimo apresentado no texto, ainda acredito sim que as coisas podem mudar. Opto por ser OTIMISTA E LUTAR! Como sabiamente diz uma música do Teatro Mágico: MILAGRES ACONTECEM QUANDO A GENTE VAI A LUTA!

Keyth Costa

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tic Tac!

25 anos...
Primeiro pensamento: “Porra falta 5 pra 30!”.
Mas por que este é o primeiro pensamento? O que significa 30? O que representa 30?
Bom, talvez que obrigatoriamente com essa idade algo significativo deva ter acontecido na minha vida. Será que precisa?
Significa também que não sou mais uma adolescente, não posso mais enxergar o mundo com olhos de criança, a realidade nos cerca o tempo inteiro. Significa que a sua juventude está ficando para trás e com ela uma provável saúde e até mesmo uma provável beleza.
Uma pessoa com mais de 30 anos que leia isso pode até se sentir ultrajada, afinal quando eu pergunto a idade de alguém e este alguém me responde: “36”, eu penso: “Que novo!”. Por que para mim, ao pensar na pessoa da Keyth, 25 que falta 5 pra 30, parece tanto?
Drummond descreveu o medo como o sentimento do mundo de 1945. Hoje acreditamos viver livremente, conectados, “in’s”. Tudo acontece ao seu redor, pessoas casam, ganham filhos, constroem a vida, conseguem bons empregos, se formam, trabalham, namoram, viajam, não fazem nada, morrem, guerreiam, fazem revoluções... E você o que faz? Trabalha e estuda, NADA parece ser o que acontece na sua vida. Às vezes penso que o sentimento do mundo de hoje é o de impotência. Essa impotência agregada à completa insatisfação humana acarreta os males do nosso século.
Eu não tenho 25 anos na minha alma!! Eu tenho 50 quando preciso ser experiente e madura para lidar com a realidade e arcar com conseqüências, tenho 12 anos quando me apaixono. Tenho 18 quando descubro algo novo que me faz sentir livre. Tenho 5 anos quando choro querendo colo de mãe, tenho 25 anos ao viver e tenho 1 ano ao perceber enquanto vivo que eu não sei nada absolutamente e que dificilmente saberei.
Eu não gosto de tipos, eu sempre digo isso. Eu não gosto porque não sou um tipo. A cada momento eu sou uma coisa nova e eu gosto dessa dinâmica, gosto de ser a Keyth que acredita e defende piamente aquilo que acredita e gosto de ser a Keyth que muda de idéia e que depois defende tudo ao contrário. Eu gosto de não ser nada.
Mas com 25, faltando 5 pra 30, parece que preciso ser mais, parece que preciso me encaixar, parece que preciso construir, parece que preciso definir e eu não quero fazer isso!!! Eu quero paz.
Os índios não contavam o tempo, a natureza lhes dizia as horas, sua numeração ia até 4, sua idade era contada juntando castanhas... Ah meu pai! Quem me dera! O tempo quantifica, prende, qualifica o que não é e nunca vai ser qualificável: sua vida, seu espaço, seus sonhos, seus projetos e metas. Eu não gosto do tempo, não gosto das horas.
Eu gosto de mim, sou grata por cada coisa que vivi nesses 25 anos, mesmo as coisas mais terríveis formaram a pessoa que sou hoje. Todas as coisas, pessoas que passaram pela minha vida, mesmo aquelas que hoje não fazem parte cotidianamente são parte do que sou hoje, todas, sem exceção. Eu gosto das pessoas, gosto de sonhar, gosto de sonhar como aquela garota de 12 anos, e eu tenho 12 anos todos os dias, mesmo tendo que fingir que sou a Keyth de 50 anos. Continuarei sendo, mesmo com 50 anos. Porque parece que uma pessoa de 50 anos necessariamente precisa ser madura e sábia, mas ninguém tem que ser nada, você tem que ser você.
“ Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”. Leminsk
Acredito nisto! Acredite nisto! E não crie um além, o além pode ser apenas o seu pensamento, aquilo que você é e que é inalterável, puro e inalcançável, pois só você, sendo você, vivendo o que viveu poderia pensar; e isto acredite, é tremendo!
E eu sou a Keyth com 25 anos, faltando 5 pra 30, com coração e medos de 12 , descobrindo o mundo como a de 1 ano e vivendo os 25 anos.
Espero da vida que eu possa ser para aqueles que amo alguém que motive, que apóie e que faça a diferença apenas por ser eu mesma, mais nada. O que vier a mais será sempre lucro, tudo que veio a mais tem sido lucro, e eu sei que estou cheia de déficits. Espero apenas sabedoria para reavê-los.
Obrigada vida por mais um ano!

Keyth

sábado, 19 de novembro de 2011

Explicação!


Olá meus amigos mais chegados que são aqueles que eu realmente me importo com a opinião.
A vocês eu gostaria de explicar o que estou defendendo quando aderi o greve estudantil que está ocorrendo na USP.
Tudo começou quando três estudantes foram pegos fumando maconha. Mentira, a discussão já estava proposta por alguns grupos específicos, porém as pessoas que possuem o meu perfil que é o de trabalhar e estudar não estavam interessados na discussão porque simplesmente por viverem uma realidade a parte que é a de pagar suas próprias contas no fim do mês, não consideravam a discussão relevante. Além disso havia também o perfil dos estudantes que acreditavam que a polícia está para nos defender e por isso consideravam essa discussão menor.
O que aconteceu no dia em que os três estudantes foram pegos com maconha, foi que a polícia havia passado o dia inteiro rondando a FFLCH e abordando estudantes que estavam indo e vindo. Quando no fim do dia, a polícia encontrou estes três estudantes e os queria prender, os estudantes da USP que conhecem seus direitos não quiseram permitir porque sabem que usuário de maconha não pode ser preso, isso não foram os estudantes que determinaram, foi a lei. Além disso, os estudantes se doeram porque sabem que para prender três estudantes que estavam fumando maconha, não era necessário 40 homens, com cavalaria, carros, etc. Pergunto a você meu amigo, alguma vez que você ou alguém que você conhece foi assaltado, a polícia por um acaso apareceu com esse aparato todo para te defender?
Visualizando o absurdo que foi o show da PM, muitos estudantes que presenciaram o que a PM fez naquele dia se atentaram à questão da PM na USP e aderiram as discussões que acabou com a ocupação da reitoria. Até aí, eu ainda continuava vivendo o meu mundinho sem maiores alterações.
Acontece que os 73 estudantes que ocuparam a reitoria receberam de um Oficial de Justiça, uma decisão judicial que dizia que eles tinham que desocupar a reitoria. Obviamente esses estudantes que se propuseram a questionar a presença da PM não saíram, você pode considerar isso imaturidade ou ingenuidade também porque é óbvio que isso serviria para perpetuar a ideia de que o movimento não tem uma causa digna de ser contemplada e que estes estudantes são filhinhos de papai que não tem o que fazer. Eu entendo que se trata de acreditar fielmente naquilo que defende. Enfim, a polícia cumpriu a determinação da justiça e foi desocupar a reitoria e eu agora vou explicar como foi:
400 homens armados, com helicópteros, carros, cavalaria e bombas de efeito moral, um verdadeiro aparato de guerra para prender estudantes, sim são estudantes não são criminosos. Pergunto novamente: Quando a polícia que está para te proteger, surgiu com esse aparato todo para defender você? Você pode até achar que está certo, porque havia uma decisão judicial, mas eu tenho certeza absoluta que você não achará certo o que vou dizer a seguir, e que contempla o depoimento dos estudantes que não foi ouvido pela grande mídia, Globo, Veja e sites como Folha e Uol.
Antes de ocuparem a reitoria, os policiais invadiram a moradia estudantil,CRUSP, e lançaram bombas de efeito moral nas casas dos estudantes, sim porque aquele lugar é a casa desses estudantes, que geralmente são de outro estado ou cidade, e por isso conseguem esse benefício. Se o seu filho fosse morar na universidade em que estuda, você gostaria que a polícia invadisse a casa dele enquanto ele DORME? Acredito piamente que não. (ABAIXO EU VOU DEIXAR O LINK DOS DEPOIMENTOS DE TUDO QUE EU ESTOU NARRANDO AQUI, PARA NÃO PARECER ALGO CRIADO).
Os estudantes foram colocados e trancados dentro das salas da reitoria, 23 ou 24 estudantes mulheres foram colocadas em uma sala a parte com policiais homens que as agrediram fisicamente, você minha amiga mulher considera isso correto? Além disso, pegaram uma dessas estudantes e a amordaçaram, essa estudante começou a gritar e os estudantes cercados pelos policiais não podiam fazer nada, essa mesma estudante teve uma crise asmática e não foi socorrida, você que tem asma sabe o quão grave é uma crise não assistida.
Os policiais não deixaram que os estudantes que chegavam para estudar de manhã, sim porque tudo isso ocorreu da maneira mais límpida possível, as cinco horas da manhã, por que será? Enfim, os policiais não deixaram que esses estudantes que chegavam intervissem na ocupação e garantissem a integridade dos estudantes que estavam dentro da reitoria. E mais, os policiais não deixaram sequer que a grande mídia entrasse no local. Enfim, prenderam os estudantes e mentiram dizendo que eles haviam depredado a reitoria. O que os estudantes admitem é terem destruído o portão principal e as pichações. Não havia bombas, havia vinagre para protegerem suas respirações caso os policiais viessem com bombas de efeito moral. Os policiais foram quem destruíram cadeiras, quebraram janelas para poderem propagar na grande mídia que os estudantes haviam destruído o patrimônio público.
No dia seguinte eu participei da Assembléia do meu curso de Letras, e já com essas informações em mãos, eu simplesmente não poderia fingir que isso não era extremamente GRAVE!! Porque, achando uma manifestação coerente ou não, qualquer manifestação é legítima, é direito constitucional! E eu sou estudante, me reconheço nos estudantes que sofreram isso, e se fosse comigo nem sei o que seria capaz de fazer, caso conseguisse, com esses policiais.
Tudo isso abriu os meus olhos para uma questão que considero ainda mais grave: O que é segurança? O que é estado de direito? Quais são os limites da polícia? Ora, você sabia, meu amigo que trabalha e paga todos os impostos que a polícia de São Paulo mata mais que os EUA inteiro? Você sabia que ela pode te abordar da forma que quiser e depois se justificar dizendo que você era um "meliante" suspeito? Ora você meu amigo trabalhador, aceita isso????
Infelizmente a grande mídia nunca vai mostrar que a discussão nas Assembleias entre os alunos diz questão a pensar o que é segurança, além de suas questões internas, que por mais que neguem é legítima, a USP é uma autarquia, e quem definiu que ela seria uma bolha foi o estado. O mesmo estado que ao invés de criar mais USP'S para que qualquer paulistanozinho pudesse ter o direito de saber que não precisa apenas fazer um curso técnico e servir o mercado, mas que poderia também ser cientista!! Como eles fizeram isso? Sucatearam o ensino público e criaram o vestibular, dessa maneira a seleção é "natural", jovens que vieram dessa escola pública sucateada dificilmente conseguirão entrar na Universidade Pública. Eu não sei como consegui, porque vim de Escola Pública, fazia cursinho trabalhando das oito as seis e apenas com muito esforço e com a perda total da minha vida social, o esforço deu resultado. Você que é meu amigo é testemunha disso.
Ora, eu trabalhadora e estudante se um dia quisesse ocupar qualquer lugar que fosse e a polícia fizesse isso comigo, também jamais aceitaria!!! Não sou vagabunda e não sou filhinha de papai! E apesar da grande parte da USP só possuir estudantes com poder aquisitivo maior, possui também estudantes como eu!! A USP também serve estudantes pobres, sim pobre, porque poder comprar uma TV em 24 vezes não é ser Classe Média, aceite. E digo mais, ter dinheiro ainda não é crime com pena de não se poder pensar!
Eu pergunto a você, o que você quer para o futuro do seu estado??
Você quer trabalhar e cuidar da sua vida, você quer comprar a sua casa própria e poder viver tranquilamente, sem viver para ganhar dinheiro como alguns, mas estável. Ora, suponhamos que você adquira a sua casa própria, você sabe que o governo pode querer desocupar o local não é mesmo? Ora, você deve saber que o governo está fazendo isso no centro de São Paulo, onde a maioria dos meus amigos cresceram assim como eu, e você também sabe que é para vender para grandes empresas, não sabe? Ora, você também sabe que o governo NÃO quer pagar o valor devido pelos imóveis não sabe? Hoje eu não estou mais morando ali, na Santa Efigênia, mas como trabalho em contato direto com a Santa Efigênia por causa da informática, as informações veem dos lojistas. Ora caso isso ocorra com você no futuro, você obviamente não vai aceitar, obviamente vai se revoltar e obviamente vai se MANIFESTAR. Aí meu querido amigo, o que vai acontecer? A polícia vai te bater, criar provas contra você e dizer que você é arruaceiro e baderneiro.
VOCÊ TEM O DIREITO DE QUESTIONAR A SUA SEGURANÇA SIM! COMO CIDADÃO!!!
Eu aderi à greve na USP, porque essa questão é maior! Diz respeito àquilo que eu quero como estado de direito, diz respeito a uma democracia falsa em que se tenta governar pelo medo. Por falar nisso uma música do Rappa me vem à mente, e diretamente me associa ao Dinho, ouvi ontem e pensei: é por isso que aderi à greve: "A minha alma ta armada e apontada para a cara do sossego. Pois paz sem voz, paz sem voz, não é paz é MEDO! (...) É pela paz que eu não quero seguir ADMITIDO!".
É esse o tipo de política do nosso reitor, faz um convênio com a PM, porque é mais barato e eficaz para inserir o medo. Dessa maneira, pode ser mais corrupto e estar sob investigação como já está ocorrendo.
A desorganização dos estudantes é a coisa menos relevante quando a questão é maior, mas aos que defendem isso devo dizer: Não estamos desorganizados, as Assembleias ocorrem de maneira muito organizada em que todos que se proponham podem falar.
Informo a vocês meus amigos, as nossas bandeiras e o que queremos conseguir são:
- Fora PM do Campus.
- Fora Rodas/Estatuinte Soberana Já
- Retirada dos Processos contra os estudantes, que não são criminosos e estavam exercendo o seu direito!
- Segurança preventiva, com guarda universitária preparada para lidar com seres humanos!! Iluminação.
- Abertura da Universidade à Sociedade.

Além disso 10% do PIB para a educação está contido nas reivindicações que levaremos à manifestação de quinta-feira.
Foi o estado quem determinou, quando a USP foi criada para ser o cérebro do Brasil, que isso seria apenas privilégio de uma elite. Foi o estado quem determinou que a USP é uma autarquia. Mas a história está acontecendo, somos a história.
Estudantes que não tiveram privilégios são capazes de entrar na Universidade feita "para todos". Queremos a abertura da Universidade para que aquele lugar não seja de poucos, para que não seja um oásis a parte.
Isso é muito bom! Gostaria mesmo que todos fossem até lá, conhecessem os cursos, compreendessem que podem e devem exigir o mesmo para os seus filhos!!! Seus filhos podem ser cientistas! Os brasileiros devem ser cientistas, só dessa maneira conseguiremos crescer! E isso tem que ser gratuito sim! Para todos! Essa produção de conhecimento apenas favorece o país!
Por isso deixo o convite, quinta-feira faremos um ato na Paulista com início as 14h. Concentração na Praça Oswaldo Cruz, justamente porque queremos levar essa discussão para a sociedade. Vamos lá todos juntos, Movimentos Sociais que sofrem repressão, alunos, professores, cidadãos dignos que pagam seus impostos. Convite aberto para uma Aula de Democracia, que esperamos que seja dada pelo Excelentíssimo Governador Geraldo Alckmin que disse amplamente que precisávamos de uma aula de democracia. Nós estudantes convocamos o Governador para que venha para essa aula pública a TODOS! Vamos galera, juntos pensar o que é Segurança, o que é Democracia, o que é estado de direito. Vamos entender a importância da Universidade que eles querem que você acredite ser um problema. A USP não é um problema. O PROBLEMA É A SUA FALTA!!!

A foto é da Assembléia que decidiu por esse ato na quinta-feira, serve como prova àqueles que querem ainda dizer, que essa é uma manifestação de poucos. A Assembléia Geral é como o nome diz, geral, de todos os cursos da USP que aderiram a greve, não é só da FFLCH.
E uma informação aos que dizem que o problema é a FFLCH, a USP está entre as melhores universidades do mundo. Além disso possui quatro cursos que estão entre os 200 melhores do mundo, e esses quatro meus amigos é da FFLCH!!

Se ainda assim você não acha o movimento legítimo segue mais informações: Estudantes da Universidade de Freie em Berlin na Alemanha ocuparam suas salas e mandaram uma carta de apoio aos estudantes. Estudantes da França, Costa Rica, Chile, Colômbia e Bolívia estão organizando abaixo-assinados em favor dos estudantes da USP.

Segue o link de depoimentos, há mais pelo facebook, caso se interessem eu posto nos comentários.

http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2392958955801&id=1605741784